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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Como estaria o mundo se o Império Romano não tivesse acabado?

Um artigo da ótima sessão "E se..." da Super Interessante, supondo como seria o mundo de hoje se o grande Império Romano não tivesse caído.


Em vez da França, a província de Gália. Em vez da Inglaterra, a Bretanha. Em vez da Bulgária, a Trácia. Quem já leu as aventuras de Asterix conhece bem esses nomes esquisitos de regiões dominadas pelos exércitos de Roma (as histórias do herói gaulês se passam por volta de 50 a.C., época do apogeu do Império Romano). Pois assim seria o Velho Mundo se o império com sede em Roma não tivesse se desintegrado: uma única nação contornando o Mediterrâneo ao longo das costas européia, asiática e africana.

Mas a mudança dos nomes das localidades européias é a menos importante das diferenças. O mundo seria outro. O capitalismo talvez ainda não tivesse surgido e, sem ele, a conquista e a colonização da América não aconteceriam. No final das contas, o Brasil poderia ser até hoje uma terra de índios.
Mas vamos aos poucos. Primeiro é bom lembrar o que houve com o império de Roma. O poder imperial começou a se esfarelar no século 3, quando ocorreram lutas internas entre generais e vivia-se uma verdadeira anarquia militar. Para se ter uma idéia, em 50 anos houve pelo menos 20 imperadores, que foram destituídos um após o outro (alguns inclusive reinaram simultaneamente, em conflito). Não era para menos. A economia romana era baseada no trabalho escravo e o suprimento de escravos dependia da conquista de novos territórios. O problema foi que o reino tornou-se grande demais para ser administrado, as conquistas minguaram, os escravos escassearam e a vida boa acabou. A arrecadação de impostos diminuiu e a população pobre começou a reclamar. Para ajudar, ainda havia o cristianismo (que era contra a escravidão e a riqueza da elite) e uma peste que varreu a região.

Nessa barafunda de problemas, tentou-se de tudo, até a divisão administrativa do império em dois, o do Ocidente (com sede em Roma) e o do Oriente (o Império Bizantino), com sede em Constantinopla (onde antes ficava Bizâncio).
Para este último, a solução foi eficaz. Mas o Império Romano do Ocidente, assolado pela crise econômica, perdeu seu poder militar e foi aos poucos invadido por guerreiros germânicos. Em 395, a divisão administrativa transformou-se em divisão política e o império rachou em dois. Deixada à própria sorte, a metade ocidental durou pouco. A queda definitiva ocorreu em 476, quando a tribo do rei Odoacro derrubou o último chefe de Roma, Rômulo Augústulo. No Oriente, no entanto, o Império Romano continuou existindo por quase mil anos, até 1453, quando os turcos tomaram Constantinopla. Se o Império Romano resistisse, possivelmente ele seria parecido com sua metade oriental, diz Pedro Paulo Funari, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em primeiro lugar, o imperador seria também o papa, como em Constantinopla, onde o imperador governava tudo o que interessava: o Exército e a Igreja. Ou isso ou haveria uma divisão de poderes com a Igreja. Essa mistureba de papéis provavelmente criaria situações curiosas, como bispos governando uma província como Portugal, ou melhor, a Lusitânia, e párocos dirigindo cidades.


A influência religiosa seria ainda maior do que foi na Idade Média ou atualmente. Nas províncias, o divórcio e o aborto provavelmente seriam proibidos e não seria nenhum absurdo que alguns costumes alimentares cristãos, como comer peixe às sextas-feiras, tivessem a força de lei, com penas severas (o açoite, o exílio e a prisão domiciliar eram comuns) para quem degustasse uma costelinha no dia sagrado.

As línguas derivadas do latim, como o português, o espanhol, o francês e o italiano, provavelmente seriam muito diferentes. O português, por exemplo, não teria sofrido a influência das línguas árabe e germânica, já que, nesse nosso mundo hipotético, possivelmente não ocorreriam as invasões dos germânicos e muçulmanos na península Ibérica. Palavras de origem árabe e tão portuguesas, como azeite, não fariam parte do nosso vocabulário.


E o capitalismo? "Provavelmente demoraria mais para acontecer", afirma Funari. "Impérios em geral dificultam o desenvolvimento do capitalismo, que depende do individualismo para se desenvolver. Um Estado muito forte e controlador é um obstáculo", diz o historiador. Na Europa, o feudalismo e a fragmentação do poder favoreceram o surgimento do capitalismo. No Japão, onde houve a fragmentação do Estado e a implantação de um sistema de shogunato, isso também aconteceu, ao contrário da China, um império que durou até 1911.

Retardado o capitalismo, a colonização da América também seria outra. E os astecas, incas, tupinambás e guaranis talvez tivessem se desenvolvido mais e oferecido maior resistência aos europeus. Indo mais longe, um império inca talvez pudesse existir até hoje. Mas essa é uma outra hipótese.

Super Interessante - Edição 196

4 Comentários:

Robson Sales 4 de junho de 2009 às 23:59  

Super interessante, de verdade!

Anônimo 30 de novembro de 2009 às 23:40  

o mundo sem o advento do imperio romano seria melhor pois cada uma das etnias indo europeias seria original e pura não haveria certos comflitos etnicos dentro de paises com influencias diversas. provavelmente a america africa e asia seriam povoadas so por seus legitimos donos.

Anônimo 2 de agosto de 2010 às 13:59  

O mundo nao seria como um vidro quebrado ,as etenias nao teriam se destanciado tanto...tendo em vista que os povos q viveram sobre o dominio de roma tinham como obrigaçao viver sobre a mesma bandeira
A justiça seria certamente mais aficaz levando em concideraçao o direito romano, que era muinto bem eleborado...mas roma ainda nao se desfez vivemos todos ainda sobre seu estandarte ,a ligua .arquitetura ,formas de lei,planos economicos ,ate nosso calendario sofre a influencia de roma !!!
ROMA E ETERNA ...!

Anônimo 11 de outubro de 2010 às 22:07  

Foi tarde,
Se fosse tão bem estruturado não viveria séculos tendo como um dos pilares a escravidão, por vezes brutal e tribal. Absorveu o conhecimento grego, aprendeu guerra com os etruscos e táticas com os cartagineses, passou séculos com pouca evolução tecnológica, e apenas aprimoramento militar, mesmo assim as armas de guerras ficaram estagnadas, mesmo no período que os principais inimigos (nações estruturadas) foram resignados pouco aprimoraram as estruturas, embora a tenham copiado e executado muito bem: estradas, aquedutos e arquitetura grega chamada greco-romana devido a algumas poucas alterações...Roma tinha muitos retóricos e laboriosos, mas poucos pensadores.

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